quarta-feira, 21 de março de 2018

QUAL O EFEITO DO PECADO DA INVEJA NO INVEJOSO?


Por
Geerhardus Vos [1]
Esse pecado, além de ser uma grave ofensa à lei de Deus, tem, inevitavelmente, um efeito destrutivo espiritual e psicológico nos que são culpados dele. O invejoso é vítima do seu próprio pecado e a sua personalidade é corroída pela inveja até que ele se torne alguém amargo ou irritável. Quem assim suspeita de tudo, é ressentido, ofende com facilidade, é de difícil trato e um “problema” para seus amigos e associados. A Escritura denomina a inveja de “a podridão dos ossos” (Pv 14.30). Quem tolera esse pecado na própria vida está brincando com um ácido que, se não identificado, corroerá a sua personalidade até que seja destruída a sua disposição e, totalmente dominada pela inveja. Somente a ação onipotente de Deus pode salvar alguém de um estado de tão lamentável escravidão espiritual.



[1] Catecismo Maior de Westminster comentado, São Paulo: Os Puritanos, 2007, p.414

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O QUE NOS ENSINA AS ORAÇÕES IMPRECATÓRIAS?

Vemos orações imprecatórias em diversas partes da Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Vemos por exemplo, o apóstolo Paulo escrevendo duramente contra os falsos mestres da circuncisão: “Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia” (Gl 5.12).
E na mesma carta, o apóstolo escreve: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Ninguém duvida que o apóstolo Paulo escrevia sob a inspiração do Santo Espírito de Deus, e sob a inspiração divina dirige palavras duras contra os inimigos da verdade.
Interessante observarmos que as orações imprecatórias brotaram dos lábios de cristãos que estavam vivendo em períodos de injustiça, perseguição de líderes perversos ou assédio de falsos mestres.
A seguir listo algumas verdades ensinadas pelas orações imprecatórias:

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A AUTODEFESA CONTRA A VIOLÊNCIA ILEGAL [1]

Por
Johannes Geerhardus Vos

A autodefesa contra a violência ilegal é sempre legítima. É mais do que legítima: é uma obrigação moral. A nossa vida não é nossa, mas pertence a Deus e por isso como despenseiros das propriedades de Deus temos a obrigação de preservar a nossa própria vida, e a dos outros, da destruição pela violência criminosa. O princípio de que a autodefesa é legítima é geralmente sustentado pelo Direito Civil das nações. Alegar que a “regra de ouro”, ou que a obrigação de amar nosso próximo, significa que seja errado matar como esforço de autodefesa é empurrar o amor ao próximo para um extremo absurdo e fanático. A Escritura ordena que se ame o próximo como a si mesmo, isto é, o amor ao próximo deve estar em equilíbrio com o amor apropriado a si mesmo. Quem se deixar matar por um criminoso, sem tentar se defender, ama demais o seu próximo e não ama a si mesmo o suficiente.



[1] VOS, Geerhardus. Catecismo Maior de Westminster Comentado, São Paulo: Os Puritanos, 2007, p.426  

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

UMA ADVERTÊNCIA DE CALVINO AOS DESIGREJADOS

Temos observado com tristeza o crescimento daquilo que tem sido chamado de “desigrejados”. São pessoas que se afastaram da igreja e que não se une a nenhuma denominação cristã. Alguns destes se tornam extremamente críticos contra a igreja, pensando que farão maiores progressos se ficarem bem longe dela.
Algumas destas pessoas se denominam calvinistas, mas não atentaram ainda que o próprio João Calvino foi um homem que teve um senso elevado acerca da igreja. Para ele, “Deus poderia levar os seus à perfeição num só momento; no entanto, Ele quer fazê-los crescer pouco a pouco, sob os cuidados da igreja”. [1]

sábado, 16 de setembro de 2017

O ESPÍRITO SANTO NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER

Certa feita, numa conversa informal com um ex-ministro presbiteriano, eu ouvi dele que era uma falta a Confissão de fé de Westminster não ter um capítulo falando sobre o Espírito Santo e que quando tentaram corrigir esta falta, destinaram apenas um apêndice na Confissão para falar do Santo Espírito de Deus. Na percepção dele, a Confissão falava pouco do Espírito Santo.
Mas ao ler atentamente a Confissão, vemos que é injusto dizer que ela fala pouco sobre o Espírito Santo. Logo em sua abertura, no capítulo que fala da Escritura Sagrada vemos que o Espírito Santo está de modo inseparável da Palavra. A Escritura é o livro inspirado pelo Espírito e embora pelo testemunho da igreja possamos ser movidos e incitados a termos reverência e apreço pela Escritura, “contudo a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações” (I.V).